terça-feira, 21 de outubro de 2008

Mudanças

Como estava com muita preguiça hoje, acabei por me decidir(involuntáriamente) assistir um filme que passava no canal "G".
Nenhuma história surpreendente:
Uma mulher bonita, carismática e inteligente se apaixona por um homem rico que já é comprometido, porém a noiva dele está interresada somente em seu dinheiro.
Não vou contar o final, pois vocês já devem imaginar!
A reflexão, porém, começou após o termino do filme.
Como não tinha nada para conversar(e eu odeio o silêncio), perguntei para minha irmã como seria se casar apenas para manter uma estabilidade financeira.
Minha irmã não deu a mínima importância ao que disse e voltou a sua atividade, porém um pensamento me ocorreu...
Muitas pessoas que conheço namoram ou se casam simplesmente para manter uma estabilidade.
Não é querendo julgar ninguém, mas muitas vezes ignoramos uma situação, por mais que ela nos incomode, por ela ser comoda demais.
Um exemplo é minha amiga "E".
Ela tem um namorado que está ao seu lado há 5 anos.
Não o conheço, mas pelo que ela me conta, ele deve amá-la muito, pois faz questão de fazer todas as suas vontades.
Há algum tempo atrás, ela me confessou que não sabia se amava mesmo o tal namorado.
Apesar de nunca ter tido um relacionamento tão duradouro, aconselhei-a a dar um tempo com ele, para refletir sobre a questão.
Mas para minha surpresa, ela respondeu-me que seria melhor não, pois isso poderia abalar o relacionamento e ela não sabia mais ser solteira.
Em outras palavras, ela preferia continuar com aquela dúvida a ter que encarar uma nova situação ao qual já estava acostumada!
Achei estranho a atitude da minha amiga, porém consegui compreender.
É muito difícil mudar uma situação porque existe o processo de adaptação sobre aquela determinada mudança e, às vezes, ela acaba sendo dolorosa.
Naquele dia pude perceber o quanto somos medrosos diante das novas situações e que é um ato de muita coragem decidir mudar por si só.

Pessoas covardes podem mudar o mundo, mas pessoas de coragem mudam, primeiramente, a si mesmos!


segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Sabedoria Paterna

Meu pai é um homem muito sábio.
Não porque é meu pai, mas é a pessoa mais sábia e ponderada que já conheci em 19 anos de existência.
E isso é muito bom e ruim ao mesmo tempo.
Bom porque começamos a ter uma noção diferente da vida e ruim porque nunca conseguimos ter 100% de razão e, como seres humanos que somos, adoramos ter razão.
Sempre me considerei uma pessoa "cabeça aberta".
Acredito que todas as formas de amor é válida, não tenho problemas com pessoas de classe social diferente da minha(seja rico, seja pobre), tenho amigos de todas as religiões, adoro conhecer outras culturas, gosto de conversar sobre variados assuntos.
Por isso, sempre fui meio polêmica dentro da minha família, principalmente entre os mais velhos.
E apesar disso, gosto de ser assim e recebia elogios de alguns amigos por ser desse jeito:
Uma pessoa com a mente e visão aberta.
Mas, um belo dia, durante uma conversa após o jantar com meu pai, ele falou:
"Você tem que abrir a sua visão, parar de ser como um cavalo com cabresto!"
Não entendi na hora e fiquei muito confusa...
Afinal, para mim, era cabeça aberta.
Não tinha como abrir mais a visão.
Nesse dia acabei discutindo com meu pai.
Tenho dois irmãos, um mais velho que eu e outra mais nova.
Sempre me disseram que, dos três, eu era a mais cabeça.
E, quando uma coisa é repetida várias vezes, mesmo que não seja verdade, começamos a acreditar nelas.
Pois bem.
Acreditava piamente que era "a cabeça" dos irmãos.
E que eles deveriam se espelhar em mim e começar a dividir as mesmas opiniões que eu.
Olhando por esse lado, vejo o quanto era (ou sou) arrogante.
Não aceitava muito bem opiniões diferentes da minha.
Afinal, o céu era azul, a grama verde e ponto final!
Não tinha o que discutir!
Na minha opinião, eu estava sempre certa.
E sempre acabava discutindo com alguém por conta disso...
Voltanto ao cometário feito por meu pai, apesar de não ter gostado nem um pouco dele, comecei a refletir sobre o assunto.
"Afinal de contas, o que mais faltava para meu pai também acreditar que eu era intelectual?"
Após alguns anos, vim novamente morar no Brasil e me separei fisicamente do meu pai.
E para minha surpresa, a responta a essa questão veio de uma forma inesperada para mim.
Durante uma aula super chata de física, quando já havia esquecido o comentário, estava conversando com uma amiga minha, que tem opiniões completamente diferentes das minhas, sobre aborto. (detalhe: ela é completamente contra, enquanto eu sou nem contra e nem a favor da questão.)
Quando havia terminado de explicar meu ponto de vista, ela veio me bombardeando com vários argumentos, tornando a conversa mais insuportável que a aula de física.
Quando não agüentei mais, olhei para ela e respondi:
"Você tem a sua opinião, eu tenho a minha! Vamos cada uma respeitar a opinião da outra e fim de papo!"
Só que nesse exato momento, me veio aquela luzinha e finalmente entendi o que meu pai havia me dito a alguns anos atrás.
Ele simplesmente queria que eu aprendesse a respeitar a opinião dos outros!
E me ensinar que essa é a forma mais inteligente de mostrar o quanto temos a visão aberta e somos "cabeças".
Uma coisa tão simples que eu não conseguia enxergar por ser óbvia demais!
E nesse dia, apredi uma lição valiosa:

Muitas coisas são simples, mas nós estamos tão acostumados a criar problemas, que ficamos tentando complicar cada detalhe!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Histórias de Família

Vou compartilhar uma das histórias de minha família.

Sou filha de imigrantes japoneses,tanto por parte de pai como de mãe.
Outro dia, estava conversando com  minha mãe sobre meus avós, que vieram como imigrantes após o termino da guerra.
Na época da guerra, eles moravam em Niigata, uma província no leste do Japão e viviam da agricultura de arroz. Quando iniciou-se a batalha, minha vó conta que era preciso carregar montes de feno nas costas, pois aviões das forças americanas passavam a todo momento sobre os céus.
Durante a noite, não era possível deixar luzes ou lamparinas acesas e todas as janelas e portas das residencias eram fechadas, deixando toda a cidade em uma escuridão total.
Meu avô também havia sido convocado para o campo de batalha, mas dois dias antes da partir para lá, a guerra finalmente teve fim com a rendição da nação japonesa.
Uma desesperança assolou todos daquele país, inclusive meus avós, que haviam acabados de se casar.
"O que fazer e como viver em um país arrasado pela guerra, sem emprego, sem comida, sem moradia?"
Foi quando eles optaram pela imigração.
Havia dois lugares em vista:
Havaíi, onde moravam alguns parentes por parte do meu avô materno e Brasil, um lugar onde "tudo que se planta, colhe!"
Após umas breves discussões, foi optado o Brasil, por lhes garantirem um grande terreno, casa, água encanada e luz.
Eles tinham até aquele momento duas filhas, sendo uma delas, minha mãe, que tinha apenas três anos.
Não sei dizer com exatidão a data da partida, mas sei que foram 90 dias dentro de um navio, com muita gente e sem um mínimo de conforto. Mas meus avós tinham decidido dar o melhor de si pelo bem de suas filhas e dos próximos que se seguiriam.
Porém, ao desembracar no Brasil e chegar no lugar prometido, qual não foi a surpresa!
O terreno era, na verdade, uma clareira dentro da mata, com uma casa velha que mal tinha telhado e sem  ninguem a quilometros de distância!
Não é preciso nem falar que não havia luz ou água encanada.
Ao perceber que haviam sidos enganados, minha vó chorou muito e meu vô não sabia o que fazer.
Mesmo sem muita esperança, decidiram começarar a reagir diante da dificuldade e começaram a batalhar para ter um futuro melhor.
A primeira plantação que minha vó fez, foi devorada pelos animais.
A segunda foi um pouco melhor e assim foram melhorando gradativamente, até conseguirem comprar um terreno melhor e mais perto da cidade.
Após chegarem aqui, tiveram mais quatro filhos: Dois meninos e duas meninas.
Colocaram todos eles em colégios bons e todos sem exceção concluíram o ensino médio.
Passaram por muitas provações, mas foram vencendo uma a uma, sempre tendo em vista a vitória no final.
Batalharam tanto que hoje, os dois, vivem tranqüilamente no mesmo terreno que compraram anos atrás com seu próprio suor.
Já retornaram a sua terra natal várias vezes, desfrutam de boa saúde e extrema harmonia familiar.
O mais interessante de todas as hitórias que me contam, é que não há mágoa em suas vozes, somente um grande orgulho de seus feitos.
Orgulho-me do meu passado e mais ainda dos meus avós.
Foi por esse motivo que queria repartir esses grandes exemplos de vida.


"As pessoas corajosas continuam a avançar mesmo em meio a dificuldades e sofrimentos. O resultado é que seguramente um caminho se abre diante delas"

Daisaku Ikeda

domingo, 21 de setembro de 2008

Aventuras e desventuras do outro lado do mundo

Recordando minha vida, lembrei de uma fase que vivi.

Aos 12 anos tive a oportunidade que muitos sonham: Fui morar no exterior.
Para ser mais exata, no Japão.
Não sabia falar, muito menos ler japonês, mas tive que ir devido emprego do meu pai.
É estranho pensar que o que era o sonho de muitos, para mim não passava de um simples pesadelo!
Quando mais nova, era a popular da escola.
Todos queriam ser meus amigos, era a primeira da classe, a mais bonita e todos desejavam participar das conversas que tinhamos.
Ao me mudar, não pude deixar de sentir um certo "vazio" daquela paparicação toda que sempre recebia, afinal, eu era o centro das atenções!
Os japoneses são pessoas educadas, mas sem um pingo de calor humano.
Não procura briga com ninguem, se limita apenas a falar mal.
São esforçados, mas reduz o ser humano a números.
Entrei em desespero!
Entrei em depressão!
Pensei em suicidio!
Mas para minha sorte, encontrei o que precisava naquele momento:
Amigos estrangeiros.
Pessoas que viviam coisas parecidas.
Pessoas que pensavam como eu.
Eramos um turma de 10 pessoas totalmente diferentes.
Cada um com sua mania, problemas, defeitos, qualidades...
Mas eramos muito unidos.
Na Marinha, existe uma frase que diz:
"Só o sofrimento une"
A frase faz sentido.
Pensando bem agora, talvez só o sofrimento unia uma turma tão diferente como a nossa...
Após três anos nessa vida, voltei para o Brasil.
E perdi contato com a grande parte desse amigos...
Mas apesar das poucas noticias que recebi desde que retornei, sempre me lembro com carinho de todos eles.
Os anos que passamos juntos ficou gravada na vida de todos como uma eterna tatuagem, uma eterna cicatriz.
A medida que cresço, aprendo, amadureço, sofro, penso em cada um deles e naqueles momentos inesqueciveis de nossas vidas.


"Afortunadas são aquelas que possuem e cultivam a verdadeira amizade."

Daisaku Ikeda

Um pouco sobre mim...

"Quando a mente trabalha em um ritmo alucinante,
A criação se torna apenas uma extensão de seus pensamentos."

Quando criança, tinha loucas fantasias...
Sonhava com fadas, duendes, magicas...
Me pergunto hoje porque perdemos essa inocencia e criatividade no processo de amadurecimento.
Talvez, por ouvir demais, sofrer demais, falar demais...
Não sei bem o que virá a seguir, o que posso contar é um pouco sobre meu passado e minhas lembranças de uma linda infância.
Tenho amigos que me pedem ajuda, tambem tenho amigos que me ajudam.
Tenho dois irmãos, pais maravilhosos, inteligencia na média, beleza comum...
Como percebeu,não sou nenhuma Heroina de HQ,mas tenho ainda a pouca criatividade restante de criança!
E algumas historias e pensamentos bons!


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