Aos 12 anos tive a oportunidade que muitos sonham: Fui morar no exterior.
Para ser mais exata, no Japão.
Não sabia falar, muito menos ler japonês, mas tive que ir devido emprego do meu pai.
É estranho pensar que o que era o sonho de muitos, para mim não passava de um simples pesadelo!
Quando mais nova, era a popular da escola.
Todos queriam ser meus amigos, era a primeira da classe, a mais bonita e todos desejavam participar das conversas que tinhamos.
Ao me mudar, não pude deixar de sentir um certo "vazio" daquela paparicação toda que sempre recebia, afinal, eu era o centro das atenções!
Os japoneses são pessoas educadas, mas sem um pingo de calor humano.
Não procura briga com ninguem, se limita apenas a falar mal.
São esforçados, mas reduz o ser humano a números.
Entrei em desespero!
Entrei em depressão!
Pensei em suicidio!
Mas para minha sorte, encontrei o que precisava naquele momento:
Amigos estrangeiros.
Pessoas que viviam coisas parecidas.
Pessoas que pensavam como eu.
Eramos um turma de 10 pessoas totalmente diferentes.
Cada um com sua mania, problemas, defeitos, qualidades...
Mas eramos muito unidos.
Na Marinha, existe uma frase que diz:
"Só o sofrimento une"
A frase faz sentido.
Pensando bem agora, talvez só o sofrimento unia uma turma tão diferente como a nossa...
Após três anos nessa vida, voltei para o Brasil.
E perdi contato com a grande parte desse amigos...
Mas apesar das poucas noticias que recebi desde que retornei, sempre me lembro com carinho de todos eles.
Os anos que passamos juntos ficou gravada na vida de todos como uma eterna tatuagem, uma eterna cicatriz.
A medida que cresço, aprendo, amadureço, sofro, penso em cada um deles e naqueles momentos inesqueciveis de nossas vidas.
"Afortunadas são aquelas que possuem e cultivam a verdadeira amizade."
Daisaku Ikeda
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