Sou filha de imigrantes japoneses,tanto por parte de pai como de mãe.
Outro dia, estava conversando com minha mãe sobre meus avós, que vieram como imigrantes após o termino da guerra.
Na época da guerra, eles moravam em Niigata, uma província no leste do Japão e viviam da agricultura de arroz. Quando iniciou-se a batalha, minha vó conta que era preciso carregar montes de feno nas costas, pois aviões das forças americanas passavam a todo momento sobre os céus.
Durante a noite, não era possível deixar luzes ou lamparinas acesas e todas as janelas e portas das residencias eram fechadas, deixando toda a cidade em uma escuridão total.
Meu avô também havia sido convocado para o campo de batalha, mas dois dias antes da partir para lá, a guerra finalmente teve fim com a rendição da nação japonesa.
Uma desesperança assolou todos daquele país, inclusive meus avós, que haviam acabados de se casar.
"O que fazer e como viver em um país arrasado pela guerra, sem emprego, sem comida, sem moradia?"
Foi quando eles optaram pela imigração.
Havia dois lugares em vista:
Havaíi, onde moravam alguns parentes por parte do meu avô materno e Brasil, um lugar onde "tudo que se planta, colhe!"
Após umas breves discussões, foi optado o Brasil, por lhes garantirem um grande terreno, casa, água encanada e luz.
Eles tinham até aquele momento duas filhas, sendo uma delas, minha mãe, que tinha apenas três anos.
Não sei dizer com exatidão a data da partida, mas sei que foram 90 dias dentro de um navio, com muita gente e sem um mínimo de conforto. Mas meus avós tinham decidido dar o melhor de si pelo bem de suas filhas e dos próximos que se seguiriam.
Porém, ao desembracar no Brasil e chegar no lugar prometido, qual não foi a surpresa!
O terreno era, na verdade, uma clareira dentro da mata, com uma casa velha que mal tinha telhado e sem ninguem a quilometros de distância!
Não é preciso nem falar que não havia luz ou água encanada.
Ao perceber que haviam sidos enganados, minha vó chorou muito e meu vô não sabia o que fazer.
Mesmo sem muita esperança, decidiram começarar a reagir diante da dificuldade e começaram a batalhar para ter um futuro melhor.
A primeira plantação que minha vó fez, foi devorada pelos animais.
A segunda foi um pouco melhor e assim foram melhorando gradativamente, até conseguirem comprar um terreno melhor e mais perto da cidade.
Após chegarem aqui, tiveram mais quatro filhos: Dois meninos e duas meninas.
Colocaram todos eles em colégios bons e todos sem exceção concluíram o ensino médio.
Passaram por muitas provações, mas foram vencendo uma a uma, sempre tendo em vista a vitória no final.
Batalharam tanto que hoje, os dois, vivem tranqüilamente no mesmo terreno que compraram anos atrás com seu próprio suor.
Já retornaram a sua terra natal várias vezes, desfrutam de boa saúde e extrema harmonia familiar.
O mais interessante de todas as hitórias que me contam, é que não há mágoa em suas vozes, somente um grande orgulho de seus feitos.
Orgulho-me do meu passado e mais ainda dos meus avós.
Foi por esse motivo que queria repartir esses grandes exemplos de vida.
"As pessoas corajosas continuam a avançar mesmo em meio a dificuldades e sofrimentos. O resultado é que seguramente um caminho se abre diante delas"
Daisaku Ikeda
Um comentário:
Muito bonita e sofrida a saga de seus avós! Você é uma pessoa de grande sorte! Beijos!
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