segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Sabedoria Paterna

Meu pai é um homem muito sábio.
Não porque é meu pai, mas é a pessoa mais sábia e ponderada que já conheci em 19 anos de existência.
E isso é muito bom e ruim ao mesmo tempo.
Bom porque começamos a ter uma noção diferente da vida e ruim porque nunca conseguimos ter 100% de razão e, como seres humanos que somos, adoramos ter razão.
Sempre me considerei uma pessoa "cabeça aberta".
Acredito que todas as formas de amor é válida, não tenho problemas com pessoas de classe social diferente da minha(seja rico, seja pobre), tenho amigos de todas as religiões, adoro conhecer outras culturas, gosto de conversar sobre variados assuntos.
Por isso, sempre fui meio polêmica dentro da minha família, principalmente entre os mais velhos.
E apesar disso, gosto de ser assim e recebia elogios de alguns amigos por ser desse jeito:
Uma pessoa com a mente e visão aberta.
Mas, um belo dia, durante uma conversa após o jantar com meu pai, ele falou:
"Você tem que abrir a sua visão, parar de ser como um cavalo com cabresto!"
Não entendi na hora e fiquei muito confusa...
Afinal, para mim, era cabeça aberta.
Não tinha como abrir mais a visão.
Nesse dia acabei discutindo com meu pai.
Tenho dois irmãos, um mais velho que eu e outra mais nova.
Sempre me disseram que, dos três, eu era a mais cabeça.
E, quando uma coisa é repetida várias vezes, mesmo que não seja verdade, começamos a acreditar nelas.
Pois bem.
Acreditava piamente que era "a cabeça" dos irmãos.
E que eles deveriam se espelhar em mim e começar a dividir as mesmas opiniões que eu.
Olhando por esse lado, vejo o quanto era (ou sou) arrogante.
Não aceitava muito bem opiniões diferentes da minha.
Afinal, o céu era azul, a grama verde e ponto final!
Não tinha o que discutir!
Na minha opinião, eu estava sempre certa.
E sempre acabava discutindo com alguém por conta disso...
Voltanto ao cometário feito por meu pai, apesar de não ter gostado nem um pouco dele, comecei a refletir sobre o assunto.
"Afinal de contas, o que mais faltava para meu pai também acreditar que eu era intelectual?"
Após alguns anos, vim novamente morar no Brasil e me separei fisicamente do meu pai.
E para minha surpresa, a responta a essa questão veio de uma forma inesperada para mim.
Durante uma aula super chata de física, quando já havia esquecido o comentário, estava conversando com uma amiga minha, que tem opiniões completamente diferentes das minhas, sobre aborto. (detalhe: ela é completamente contra, enquanto eu sou nem contra e nem a favor da questão.)
Quando havia terminado de explicar meu ponto de vista, ela veio me bombardeando com vários argumentos, tornando a conversa mais insuportável que a aula de física.
Quando não agüentei mais, olhei para ela e respondi:
"Você tem a sua opinião, eu tenho a minha! Vamos cada uma respeitar a opinião da outra e fim de papo!"
Só que nesse exato momento, me veio aquela luzinha e finalmente entendi o que meu pai havia me dito a alguns anos atrás.
Ele simplesmente queria que eu aprendesse a respeitar a opinião dos outros!
E me ensinar que essa é a forma mais inteligente de mostrar o quanto temos a visão aberta e somos "cabeças".
Uma coisa tão simples que eu não conseguia enxergar por ser óbvia demais!
E nesse dia, apredi uma lição valiosa:

Muitas coisas são simples, mas nós estamos tão acostumados a criar problemas, que ficamos tentando complicar cada detalhe!

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